(♥) Milagre no Forninho!

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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Como os Nossos Pais...





"Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo, tudo o que fizemos ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais..."


Logo pela manhã comecei a ouvir Elis Regina e logo pela manhã comecei a pensar... Realmente, em grande maioria, somos como os nossos pais. Temos ainda os mesmos preconceitos, somos presos ainda a ditaduras, não necessariamente governamentais, mas da moda, do consumo, do marketing... Somos presos a idéias velhas, de um mundo que não nos pertenceu, mas sim, somos assim porque ainda somos os mesmos...


O desafio de hoje, do século XXI, é nos libertarmos... Nos libertamos da ditadura do marketing, do consumo, da moda que nos fez e provavelmente fará nossos filhos diminuirem os amigos gordinhos, gays,... enfim, diferentes, ou aqueles amiguinhos que os pais ralam pra pagar a escola particular e não sobra grana pra comprar um telefone mega fodástico, um computador super blaster da NASA. Nos libertarmos do preconceito religioso, racial, sexista e social que nos consome e persegue desde a época medieval, que faz adolescentes espancarem gays, colocarem fogo em mendigos e espancarem domésticas, com a desculpa "ah, mas eu pensei que fosse uma prostituta..."


O desafio do século XXI é não sermos mais os mesmos e vivermos como seres humanos, e não como madrastas malvadas de contos de fadas...


(Aline Queirolo)

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Saudade...





Saudade...
Como pode uma única palavra ser capaz de deixar um dia tão solitário, tão sombrio e tão cinzento, apesar do sol que queima a pele? Como pode o sol queimar a pele tão profundamente enquanto o coração se esconde encolhido, procurando calor no meio de uma nevasca? Como é possível sangrar num sorriso, e chorar lágrimas que nunca brotaram nos olhos?


Saudade...
Palavra tão pequena, uma única palavra, capaz de matar, capaz de fazer com que quase esqueçamos de respirar... 
Como é possível esquecer de dormir? Como é possível esquecer de viver? Como é possível que uma ausência seja tão longa ao ponto de fazer doer a alma de uma forma que parte nenhuma do corpo é capaz de doer?


Saudade... 
Dura, fria, solitária, cruel... Sempre saudade... Saudade que dói, saudade que sangra, saudade que perdura, saudade que afoga, que sufoca, que mata, que deixa tudo enevoado...


Se eu um dia tivesse forças para matar, seria a saudade que eu mataria. Mataria essa dor que afoga no peito, mataria essa raiva que brota na garganta, o nó de choro que sufoca... Saudade maldita, que não passa, que não sai, que não se cansa de doer! Como pode sangrar sem cortar?


Saudade...
E ainda assim, com toda a dor, com toda a agonia, me vejo esperando pacientemente por cada minuto que passa, para enfim me jogar em seus braços e curar, por algumas horas, a saudade que logo voltará a reinar...

Bernardo...



De um amor estável, surge esse novo amor. Esse novo amor que ainda não tem rosto, que ainda não tem toque, que ainda não tem dia-a-dia. Esse novo amor que ainda não tem conhecimento dos hábitos, das virtudes e dos defeitos... Mas que amor inexplicável! Um amor capaz de mover montanhas, levantar caminhões, fazer a Terra parar de girar, fazer o sol parar de brilhar, fazer os dias pararem e as noites não chegarem...

Amor que faz acordar de madrugada para sentir um pezinho ou uma mãozinha. Amor que faz chorar ao ouvir a batida de um coração num consultório médico frio. Amor que une mais do que se pensaria ser capaz de unir duas pessoas. Amor que faz crescer.

Dentro de mim sinto um amor que cresce assim como você cresce. Amor que dá medo, que dá ansiedade que dói, que conforta, que ampara, que dá sentido à vida.

Meu filho, pedaço de mim mesma, meu retrato, minha vida, meu ar, meu chão...

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Devoção - 20-12-10



Eu te roubei pra mim, para te ter pela vida inteira…
Eu te tranquei no meu peito, para que não vás embora…
Eu te selei os lábios com um beijo, para q não grites…
Eu te pus pra dormir em meu leito, pra não te perder…
Eu te dei a lua e o sol, pra que nada te falte…
Eu te ofertaria as estrelas, só para ver o teu sorriso…
Eu te marquei com unhas e dentes, para marcar meu território…
Eu te amo tds os dias, te desejo a cada noite e me renovo em ti a cada manhã, só para satisfazer meu egoísmo.. Só para matar a vontade de te fazer feliz, só para manter o sorriso q o teu amor me traz, só para te querer enlouquecidamente todos os dias…
Te amo.. A cada dia mais, a cada segundo mais… Por toda a minha vida, eu sei que vou te amar… Diariamente me descubro em teu peito e me perco novamente em seus beijos, em seus carinhos… Me desenho novamente para vc, mas o calor do teu corpo novamente me derrete a imagem, precisando de ti novamente para me reescrever…
Antes de ti eu era metade de mim mesma, metade de mulher, perdida em devaneios sem sentido, um diamante bruto confundido com um mero seixo, sem brilho, perdido no fundo de uma montanha distante…
Em teu amor me vejo inteira, me vejo pessoa, me vejo mulher, me vejo única, um diamante lapidado perdido em suas mãos, sem necessidade de se encontrar, pois o seu calor é o calor de me sentir em casa…
Te amo… A cada dia mais, a cada segundo mais…
Abraçe então essa mulher, essa menina perdida em seu colo, em seu olhar, em seus carinhos e acalma esse coração que só sabe doer de saudade, que só sabe dizer o seu nome…

Hoje - 13-07-08



Hoje eu preciso de um café forte, um cigarro aceso e uma música para chorar.
Hoje eu preciso de um abraço apertado, uma roda de amigos e uma mesa de bar.
Hoje eu preciso de uma boa conversa, uma piada sem graça e um jogo de bilhar.
Hoje eu preciso de um livro antigo, uma história nova e um novo lugar.
Hoje eu preciso de um sanduíche de queijo, um filme velho e um travesseiro pra deitar.
Hoje eu preciso de uma lavagem cerebral, uma bronca de uma amiga e um ombro pra chorar.
Hoje eu preciso de um cheiro novo, uma roupa passada e um lugar pra dançar.
Hoje eu preciso de uma bicicleta, uma ciclovia e uma praia para pedalar.
Hoje eu preciso de um pôr-se sol, uma chuva de estrelas e uma noite pra descansar.
Hoje eu preciso de uma chuva de estrelas, de um novo desejo e de um novo luar.
Hoje eu preciso de tudo novo, começar do zero e desencanar.
Hoje eu preciso de uma balada, de um porre e de um remédio pra relaxar.
Hoje eu preciso de uma recomeço.
Hoje eu preciso de um amigo.
Hoje eu preciso de um verso novo.
Hoje eu preciso de um violão.
Hoje eu preciso de uma lavagem cerebral.
Hoje eu preciso de um calmante.
Hoje eu preciso te esquecer.

Confessar Sem Medo de Mentir... - 10-08-09



Ao som de Roupa Nova, ela pegava papel e caneta e começava a escrever. Procurou as palavras e as vestiu com todo o requinte que mereciam. Esticou o braço até o fim da mesa do computador, pegou um cigarro, levou até a boca, pegou o isqueiro.. logo lembrou-se que ele não gosta que ela fume. Devolveu o cigarro ao maço e voltou a olhar a tela.
Tinha escrito exatamente duas linhas: deletou as duas. Começou novamente com palavras rebuscadas, com parágrafos bem delineados…
- Droga! – resmungou, acendendo finalmente o cigarro, por impulso, sem perceber o que fazia – Isso não vai sair nunca! – olhava para a tela do computador, procurando as palavras certas que nunca pareciam certas realmente.
Uma semana havia se passado desde o encontro em que o beijo apaixonado precedeu o “Oi”. Parecia que já estavam juntos há anos, mas só havia se passado uma semana.. O coração acelerava sempre que pensava nele e pensava nele o tempo todo… Voava para o telefone todas as vezes que ele tocava e o sorriso era inevitável ao ouvir o “Oi, meu amor!” tão esperado às vezes pelo dia todo. E era para o telefone que ela olhava agora, como se os seus olhares fizessem o telefone tocar mais rápido.
Não tocou…
Levantou-se. Vestia a camisa do Flamengo. Desceu um pouco, foi até a rua. Voltou, colocou o fone de ouvido, começou a ouvir Roupa Nova. Escutou uma canção que dizia que “não faz mal não ser compositor. Se o amor valeu, eu empresto um verso meu pra você dizer”. Abriu finalmente um sorriso e escreveu apenas algumas palavras para si mesma:
“Ah, coração, se apronta pra recomeçar
Ah, coração, esquece esse medo de amar de novo.”
Cansou de esperar. Pegou o telefone e ligou para desejar um bom dia.

O Sopro do Dragão - 08/08/09



Do alto da Pedra dos Esqueletos, o Dragão Púrpura olhava de longe… O grupo de guerreiros atacava os seus lacaios até chegar até ele. Atacava impiedosamente, até matar cada um deles…
O clima na montanha era pesado: o ar de malignidade se espalhava deixando o ar quase irrespirável. Os corpos jaziam pela pedra, inertes, mortos. A Sacerdotisa conseguira correr rápido o suficiente para despistar o Dragão Púrpura e voltar para ressucitar os jovens guerreiros…
Mas até mesmo no meio do clima mórbido o Destino, senhor de tudo, tinha seus meios de fazer com que as coisas seguissem o seu curso. O Sacerdote caíra sobre o corpo frágil da Feiticeira. E ali conversaram. Por trás do Sacerdote, havia um Guerreiro. Dali, a Feiticeira e o Guerreiro passaram a se falar todos os dias. Como a Raposa do Pequeno Príncipe, a Feiticeira passou a esperar, cada vez mais ansiosa pelo cumprimento do Guerreiro e, quando este a cumprimentava, seu rosto era pequeno demais para abrigar tamanho sorriso. Ela se interessou e foi aos poucos se apaixonando pelo jeito simples, meigo e atencioso do Guerreiro, mas a timidez não permitia que ela falasse abertamente sobre isso. Ele, no entanto, foi direto, claro, objetivo.. E ela disse sim…
Então, finalmente Guerreiro e Feiticeira se encontraram. Os olhares se cruzaram. Os corpos se cruzaram. O abraço longo aquecia, confortava. Então, o inevitável aconteceu: os dois se lançaram em um beijo único, inesquecível, seguido por um delicado “Oi”. Daquele momento em diante, não havia mais dúvidas de que Guerreiro e Feiticeira caminhariam juntos.
Assim se inicia uma nova história… Guerreiro e Feiticeira, Feiticeira e Guerreiro.. Ou talvez muito mais do que um Guerreiro e uma Feiticeira: duas pessoas, comuns simples, desvestidas de armaduras e de habilidades especiais.. Apenas.. dois apaixonados…

Ciclo Da Vida - 24-08-2008



As situações das quais você foge nunca acabam por você fugir. Não importa o quanto se corra dos problemas: eles sempre voltam a bater em sua porta. E as coisas não seriam diferentes naquela noite de domingo, fria como o inverno que batia à porta. Daniella estava em sua cama, vendo um filme velho, enrolada no seu cobertor, comendo pipoca até pegar no sono. Mas o sono não vinha… As horas passavam e o sono não chegava.
Ela levantou e foi até a geladeira. Tinha uma garrafa de vinho pela metade e ela se serviu. Voltou para o seu quarto quando o telefone tocou. Ela não podia acreditar no identificador de chamadas, mas era ele. Logo agora… Mas por que agora?
Miguel era um bom homem. Estava ao seu lado, era carinhoso e durante todo o tempo que estiveram juntos nunca haviam tido uma briga. Eles já tinham se casado no civil e começavam a preparar as coisas para a cerimônia religiosa e a festa do casamento. Daniella estava grávida, já com a barriguinha aparecendo, e estava tremendamente feliz. Se encontrou nos braços de Miguel, e dali não pretendia sair tão cedo. Ela o amava e ele o amava. Eram felizes e ponto.
Agora ele reaparecera. Depois de tanto sofrimento, depois de tantas lágrimas, Adriano estava por perto novamente. Justo agora. O casamento com Adriano foi perfeito no começo, até que o ciúme e a insegurança estragaram muita coisa. O respeito foi por água abaixo, o carinho desapareceu… As mágoas se tornaram maiores do que o limite de tolerância.
Então ele voltou… Reapareceu… E lhe pediu pra voltar. Ele era sua alma-gêmea, não havia dúvidas, mas ela não queria mais aquele sofrimento todo. Mas, tudo o que é verdadeiro não morre, apenas se cala… E seu coração acordou para aquele amor que dormia em silêncio no fundo do porão do tempo.
A confusão na cabeça de Daniella era mosntruosa. Ela não queria estar longe do seu único amor, mas também não queria perder a segurança que Miguel lhe passava. O celular continuava tocando, e ela não queria atender. Ela foi até a varanda do seu quarto. Décimo sexto andar… O vento cortava seu corpo coberto apenas pela camisolinha cor-de-rosa. Os olhos se fecharam e tudo o que se ouviu foi um barulho seco e oco.

Memórias - 12-07-2008



O vento tocava o rosto de Christine, enquanto ela dirigia com a capota de seu conversível totalmente aberta. No banco de trás, algumas poucas malas, com muito poucas histórias para contar do passado que queria deixar para trás. Em alta velocidade, ela cruzava o deserto em seu carro, indo para o Norte, buscando uma nova vida, num novo local, onde fosse a mulher sem rosto e sem passado que sempre desejou ser. Não importava quem iria ficar para trás, ou o que ela deixaria de viver em sua vida de sempre… Ela simplesmente colocou o pé na estrada e preferiu viver no anonimato.
Ela pára em um posto de gasolina. Sai do carro, acende um cigarro, tira os óculos escuros, o lenço do pescoço, o chapéu… Entra na lojinha de conveniência e pede uma Coca-Cola. O frentista termina de encher o tanque, conferir o óleo do carro… Ela termina seu cigarro e, quando se dirige ao seu carro, nota que está em uma pacata cidade, próxima de onde ela deveria estar indo. Cansada por estar atrás do volante a pelo menos uns três dias, resolve fazer uma parada de alguns dias.
Levratti era uma cidade bonita. Christine passeava devagar com o carro até chegar a praça principal, onde estacionou, procurando um lugar para ficar. A praça da cidade era como todas as praças de cidades pequenas: tinha uma canteiro de pequenas violetas, um pipoqueiro, banquinhos… Em volta da Praça de Levratti, havia a Igreja, a mercearia, a livraria, a floricultura e um pet shop. Um pouco mais distante da praça, ficava o hotel, para onde Christine se encaminhou.
Ao entrar no hotel, Christine foi remetida a uma outra época: os móveis, a decoração… Parecia estar no século XIX. Inclusive a roupa dos funcionários do hotel era adeqüada àquela época. Foi quando Christine teve o maior susto da sua vida…. Na sua frente surgiu a dona do estabelecimento: era a própria Christine se olhando num espelho de um tempo que ela não viveu. Ambas pararam, se olharam…. O medo dominava Christine enquanto ela via sua sósia sorrir alegremente. Então ela se apresentou…
“Olá, Christine, bem vinda de volta. Eu sou tudo o que você tenta esquecer. Sou suas lembranças mais doloridas e suas lembranças mais felizes. Sou você, sou seu passado, sou suas memórias… Sou tudo o que você escolheu e tudo que você deixou de escolher. Sou seus medos e suas tristezas, sou seus sonhos e seus pesadelos. Não, minha querida, você não pode fugir de você, não pode fugir de seu passado….”
Lentamente, a sósia de Christine segurou sua mão e a levou até um espelho. Era o espelho de suas memórias. Christine olhou e se viu ali, com quatro anos de idade. Viu seu pai chegando bêbado de madrugada, indo até o seu quarto e a violentando. Se viu com quatorze anos, ainda sendo violentada pelo pai enquanto sua mãe estava em um manicômio e ela cuidava de seu irmão recém-nascido. Se viu um pouco mais velha, tentando suicídio, com apenas dezesseis anos. Se viu sendo mãe aos vinte um e apanhando do pai do seu filho alguns anos depois. Se viu grávida de oito meses, de gêmeos, sendo atropelada às vésperas do Natal, indo parar no hospital às pressas, com seus dois filhos mortos, Giovani e Helena. Se viu indo embora de sua cidade no meio da madrugada após uma briga com seu segundo marido, voltando para casa de seu pai. Se viu fazendo novos amigos maravilhosos, a família que Deus a permitiu escolher. Christine simplesmente se via naquele espelho. Viu seus primeiros amores, suas primeiras desilusões, suas primeiras mágoas, as primeiras vezes em que magoou alguém…. Era ela, era a sua história. Então entendeu que não importava para onde ela fosse, suas lembranças e seu passado iriam com ela. O choque foi tão grande, que Christine desmaiou.
Na sala de trauma, o médico de plantão manda parar os procedimentos de ressucitação. A explosão no posto de gasolina tinha sido causada por um cigarro jogado no chão. O médico coloca a mão sobre a testa de Christine, escorregando suavemente pelos seus olhos, os deixando fechados. Hora da morte: 19:21h.

A Banheira - 11-07-2008



Elisa chegou em casa cansada do trabalho. Abriu a geladeira, pegou um congelado qualquer e colocou no microondas. Estava cansada demais para preparar uma refeição decente. Até porque era mais uma noite solitária, não ia haver convidados para o jantar. Que diferença faria?
O dia tinha sido muito cansativo e Elisa resolveu tomar um banho longo e demorado na sua banheira. Pegou um vinho, colocou uma música suave e largou seu corpo exausto na água quente. O corpo foi cedento aos estímulos relaxantes e ela começou a repassar o seu dia em sua cabeça. O engarrafamento longo e demorado até chegar no trabalho, o trabalho monótono e cansativo, atrasado por horas de falta de concentração. O almoço sozinha, como não poderia deixar de ser. Os longos minutos até a hora de sair. O telefone que não tocava nunca, por mais que ela esperasse um telefonema qualquer. O novo engarrafamento voltando pra casa.
Seus dias eram cada vez mais vazios e depressivos. Elisa estava no piloto automático há algum tempo. A vida havia se tornado um fardo muito maior do que ela podia suportar. Nada mais fazia o menor sentido… Ela havia se afastado dos amigos, havia deixado de gostar de seu trabalho que era a coisa mais importante de sua vida, havia desistido de viver… Ela não sentia mais prazer, mais vontade de viver… Diferentemente de sua amiga Letícia que havia se matado há alguns dias apenas, ela não tinha coragem de fazer o mesmo.
Então tocou o telefone… Era ele. Sim, Elisa, assim como sua amiga Letícia, havia passado por uma grande desilusão amorosa. Por várias vezes ela pensou em se matar… A dor era maior do que sua capacidade de tolerância…. Mas valeu a pena sofrer tudo aquilo por aquele momento ao telefone. Ele queria saber como ela estava, queria dizer que estava preocupado, que sentia sua falta. Disse que precisava dela de volta e ela aceitou, sem pensar duas vezes… Na mesma hora ele pegou o carro e foi até ela. Os dois se abraçaram, se beijaram e fizeram amor louca e carinhosamente. Deitaram juntos e dormiram abraçados, perdidos um no colo do outro.
O sol incomodava um pouco os olhos de Elisa, que ainda dormia. A claridade tomava conta do banheiro… A água da banheira estava fria… O copo de vinho vazio estava caído perto dos sais de banho… O relógio despertou. Elisa tomou uma chuveirada rápida para acordar, colocou sua roupa, pegou sua pasta e foi trabalhar.

Além da Tela - 10-07-2008





Madrugada… A fumaça espiralada do cigarro deixa o quarto frio enevoado… Já são quase três da manhã e o sono não vem… Letícia prepara um whisky cowboy e vira todo de uma vez só. A bebida desce queimando, mas pelo menos aplaca o frio cortante daquela noite…
Ela apaga o cigarro, senta na frente do computador para conferir seus emails, depois de prender seus longos cabelos castanhos. Novamente, não há nada de interessante na sua caixa de entrada: horóscopo, mala direta, spam, um milhão de mensagens pps que ela sequer se dá o trabalho de ler. Mas não há nenhuma notícia que ela gostaria de ler… Mais um dia e ele não dá notícias…
Já faz um tempo… Perdida em suas lágrimas, ela não tem mais noção de tempo… Aqueles quinze dias têm sido os mais longos de toda a sua vida… Ela tenta falar com ele, mas não o encontra na internet como encontrava antes… Ele não manda mais email, não se comunica com ela por mensagens, não atende mais o telefone… Quando atende, é aquela ligação rápida, a voz dele meio fria…
Havia alguns meses que haviam se conhecido pela internet. Em pouco tempo, ele passou a ser mais que parte da vida de Letícia: ele se tornou a sua própria vida.. Ela se divorciou para que ficassem juntos. Ela o amava mais que tudo e sabia que ele a amava além da vida… Mas ele era muito ciumento e ela era muito sociável com seus amigos. O fato de serem pessoas muito conhecidas os colocava em evidência e o amor dos dois deixava qualquer um com inveja… Logo se formou um exército para separá-los. E um exército vitorioso….
Letícia passou toda a madrugada perdida em seus pensamentos… O celular dele estava desligado… Ela coloca mais um whisky no copo… Dose dupla.. Cowboy…. Se arrasta até o banheiro, onde pega seus comprimidos para dormir. Na tela do computador, o email havia sido enviado. Ela se deita, toma os comprimidos… Todos eles. Engole com o whisky. Seu corpo cai inconsciente na cama. Então ela finalmente o vê chegando e encontra paz…