(♥) Milagre no Forninho!

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domingo, 3 de fevereiro de 2013

Duda e Rafa - Parte II - O Início



Ele era o modelo da popularidade: bonito, mochila e tênis da moda, jogador exemplar de handball e de vôlei  da equipe do colégio. O cabelo perfeitamente cortado como o do galã da moda parecia ser a cereja do bolo, mas não, ainda havia mais: sua personalidade. A despeito da má fama dos rapazes populares, ele era incrivelmente gente boa: não fazia piada de mal gosto a respeito das "deficiências" dos menos afortunados fisicamente, não falava com os CDF's apenas em dias de prova, tirava notas ótimas, fingia não notar o assédio das meninas e, quando era impossível, apenas se esquivava, sempre de forma polida e cortês, sem nunca dizer o que todo o restante da escola comentava: mais uma vadia enchendo o saco. Seu nome era gritado durante o recreio por vozes femininas esganiçadas, em súplica pela companhia do rapaz e, justiça seja feita, ele era realmente bom em se esquivar desses momentos constrangedores.

Mas ela não o gritava esganiçadamente durante o intervalo. Era um daqueles tipos que preferia o anonimato, já que a incrível transformação hormonal em seu corpo não a havia ajudado fisicamente. Era melhor permanecer discreta antes que mais algum garoto insuportavelmente chato a relembrasse daquela lista de adjetivos tão desconfortavelmente conhecida. Além disso, ela era observadora o suficiente para perceber o quanto Rafa odiava o assédio constante das meninas no recreio. No entanto, ele era suficientemente gentil para se compadecer de uma menina que usava o recreio para revisar sozinha, as anotações de Matemática. E foi isso que ela fez naquela manhã: se sentou num banquinho sob a mangueira do pátio e começou a revisar freneticamente a matéria, ciente, no entanto, que de nada adiantaria: ela era fantástica com Gramática, Inglês, muito boa em Informática, História, Geografia e Biologia. No entanto, quando os números entravam em cena, suas convicções acadêmicas desmoronavam. E foi perdida em seus devaneios sobre fórmulas de trigonometria, distraída apenas pela sua Coca-Cola, que ela achou que o mundo ia parar.

- Nossa, Maria Eduarda! Estudando no recreio?

Duda se engasgou com a Coca e agradeceu intimamente aos céus por não ter saído refrigerante do seu nariz. Além de estar terrivelmente distraída entre senos e tangentes, ELE SABIA O SEU NOME! Não apenas o apelido que todos, exceto os professores mais rígidos, a chamavam na escola. Seu nome mesmo, por inteiro. Isso é algo memorável!

- Sim, é inevitável. Tem prova na próxima aula e, a menos que um milagre aconteça e a matéria de todo o bimestre entre na minha cabeça como a idéia de pular o muro e fugir da prova, preciso ao menos tentar entender essa coisa toda de Trigonometria em mais 10 minutos.

- Mas isso é fácil! - comentou ele, surpreso por algo tão simples fugir da linha de raciocínio de alguém.

Ela respirou fundo e falou baixinho, já acreditando que aquele encontro aparentemente milagroso era só mais uma cena de um garoto terrivelmente chato a atormentando e antecipou o escárnio:

- Talvez eu só seja burra mesmo!

- Mas eu não quis dizer isso! - Ele balbuciou mais surpreso ainda. Sua incrível habilidade de raciocínio matemático não excluía a interação social - Olha só, eu te ajudo. - Desenhou no papel uma tabela simples, com algumas fórmulas e que incrivelmente, resumia as 15 folhas de caderno que Duda se obrigava a entender, tornando sua via crucis ridiculamente mais fácil. E foi com essa tabela q Duda conseguiu tirar o primeiro 8 da sua vida em Matemática.

Foi assim, em algum momento do Ensino Fundamental, que Duda e Rafa se encontraram. Mas é claro que aquele encontro seria pontuado por muitos e muitos desencontros.

(continua)

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